A ESTANTE DE GUSTAVO BERNARDO


Conversas

CONVERSAS DE PROFESSOR

Denise Brasil

 

Em mais de um texto deste livro, Gustavo Bernardo afirma que o melhor método de educar é o exemplo. E neste “livro-conversa”, como bem o definiu seu autor, o leitor vai encontrar uma excepcional demonstração do método da educação pelo exemplo. Frutos da reflexão e da ação cotidiana em sala de aula, os textos fazem fluir inquietudes de quem, há muitos anos, ensina a aprender, aprende a ensinar e ensina a ensinar. Por isso, são exemplos de uma busca, sempre inacabada, inerente a quem se define como professor.

Movidas pela esteira das “lutas inúteis”, destas que valem “toda a pena do mundo”, as perguntas que intitulam todos os pequenos capítulos tentam dar sentido a coisas que, neste mundo de apologia ao mercado e ao consumo, parecem ter perdido sua razão de ser. Afinal, como pode um jovem talentoso hoje escolher tranquilamente ser professor? E, ainda por cima, de literatura! Aos olhos de todos, prenúncio de D. Quixote, pauperizado, amalucado e perseguidor de moinhos de vento.

Se a pauperização do magistério não é natural, mas socialmente construída (podendo, portanto, ser desconstruída); o trabalho com a literatura pode se mostrar libertador, justamente porque encanta, revela e instiga o pensamento, como “exemplificam” (no exercício do método) os textos de Gustavo Bernardo. Não por acaso, a partir deste trabalho, deste esmiuçamento dos moinhos de vento da ficção e da arte, seja na educação básica ou na universidade, foram sendo tecidas as perguntas/respostas que põem em debate a educação, a vida social, a arte, os afetos, o cotidiano escolar, as esperanças e ruínas que partilhamos não só como professores, mas como mulheres e homens de nosso tempo.

O fato de nós, leitores – professores ou estudantes, podermos nos reconhecer nas questões levantadas pelo autor já tornaria o livro uma leitura indispensável. Se, entretanto, essas mesmas questões ajudam a manter aceso o desejo de buscar, com as armas da crítica, a liberdade do pensamento, então podemos dizer que este livro educa. E o faz não porque apresenta uma mercadoria consumível, conhecimento condensado pronto para uso, mas porque sugere, significativamente por meio de uma sucessão de perguntas, o contínuo exercício de indagar, de pensar e repensar.


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