CARTA DO AGRADECIMENTO
CARTA DA DELICADEZA
Gustavo BernardoBruno Deusdará
Definiu-se a eleição para o Instituto de Letras da UERJ, realizada nos dias 20, 21 e 22 de outubro de 2015.

Na urna dos servidores docentes e administrativos, a chapa 1 teve 106 votos, enquanto a nossa chapa contou com 54 votos. Houve apenas 2 votos nulos e 1 voto em branco. Constata-se a diferença de 52 votos, a favor da chapa 1.

Na urna dos estudantes, a chapa 1 teve 292 votos, enquanto a nossa chapa contou com 575 votos. Houve apenas 5 votos nulos e 6 votos em branco. Constata-se a diferença de 283 votos, a favor da nossa chapa.

No total das duas urnas, a chapa 1 teve 398 votos, enquanto a nossa chapa contou com 629 votos, num total de 1027 votos. Constata-se a diferença total de 231 votos, a favor da nossa chapa. Portanto, a chapa 1 recebeu 38,3 % dos votos, enquanto a nossa chapa recebeu 60,5 % dos votos.

Entretanto, segundo as regras da eleição e a complexa fórmula eleitoral, que já eram consabidas, perdemos por pontos, mais precisamente por 8% dos pontos: a chapa 1 venceu com 54% de pontos, enquanto a nossa chapa perdeu, porque chegou a 46% de pontos.

Cumprimento as professoras Magali Moura e Márcia Faria pela sua vitória e lhes desejo sorte pelos próximos 4 anos. Que nós todos tenhamos aprendido alguma coisa com a resposta das urnas.

Cumprimento todos os estudantes, servidores administrativos e servidores docentes do Instituto de Letras, por terem exercido o seu direito de escolha.

Agradeço muito a todos e todas que votaram em nós, confiando na nossa proposta de mudança.

Agradeço, em especial, àqueles e àquelas que desde o primeiro momento nos apoiaram de todas as formas, com ideias, críticas, mil sugestões inteligentes e belas declarações de voto e de apoio, além de colorirem os cinzentos corredores da UERJ com os nossos adesivos.

Os agradecimentos, entretanto, não escondem alguma tristeza.

A minha confiança em um novo Instituto de Letras, pautado pelo diálogo aberto, pela ação plural e pelo elogio da diversidade, era muito grande. Sinto-me triste, sim, por não ter sido capaz de convencer a maioria dos colegas da importância dessa mudança.

A tristeza, porém, não diminui o enorme orgulho que sinto no peito.

Nós nos orgulhamos de termos apresentado uma proposta de gestão baseada antes em princípios do que em promessas, princípios estes que não admitiam nem marionetes nem um mestre de marionetes.

Nós nos orgulhamos de não termos confundido ética com certa moral corporativista, aquela que vê inimigos atrás de todo pensamento divergente.

Nós nos orgulhamos de, no Auditório 111, termos estado à mesa do grande debate histórico que tivemos, verdadeira aula magna de argumentação e democracia. Se a minha carreira tivesse se encerrado naquele momento, teria sido com fecho de ouro.

Orgulho-me de ter vivido esta bela campanha ao lado do Guerreiro Zen, isto é, do meu amigo Bruno Deusdará – aquele que tem a metade da minha idade, mas o dobro do meu tamanho, como brinquei durante toda a campanha.

Como professor que sou, não poderia, enfim, deixar de me orgulhar imensamente dos alunos e das alunas que ouviram a minha voz baixa e depois me contemplaram com aqueles 575 votos, enquanto os seus olhos brilhavam e os meus se molhavam.

Recebo estes votos, bem como os aplausos no debate, como quem recebe, honrado, o prêmio Nobel do magistério.

Muito, muito, muito obrigado!
Gustavo Bernardo
Tive outras visões naquela madrugada.
Preparei minha máquina de novo.

Tinha um perfume de jasmim no beiral do sobrado.
Fotografei o perfume.
Vi uma lesma pregada na existência mais do que na pedra.
Fotografei a existência dela.

Manoel de Barros


Estou profundamente emocionado com o que ocorreu nos dias 20, 21 e 22 de outubro de 2015. Tenho participado ativamente de muitos processos eleitorais na Uerj – mas a primeira vez, como candidato. Em todas elas, sempre me emocionei muito, no entanto, desta vez, fiquei especialmente empolgado. O resultado eleitoral parece expressar perfeitamente o que sinto: votei nas 3 candidaturas escolhidas majoritariamente pelos estudantes.

Fico feliz de termos visto nas urnas algo além de um depósito de votos. Fico muito feliz de termos aproveitado as eleições para nos encontrar mais, para conhecer novos colegas e muitos estudantes, para conversar sobre o que queremos fazer de nós mesmos, em nosso espaço de trabalho e estudo.

No Instituto de Letras, em especial, alcançamos uma marca histórica, com a participação de 1.027 pessoas no processo, e fico empolgadíssimo em saber que pude compartilhar com outras 628 pessoas o desejo de mudança, a vontade de refazer nossas práticas, a possibilidade de arejar nossos sonhos.

Uma avaliação é necessária: a fórmula que calcula o resultado eleitoral não pondera a relação entre os segmentos, ela pune aquele que já sofre com um alto índice de abandono. Como professor, já me preocupo em trabalhar no Instituto que tem o maior índice de trancamento de matrícula de todo o CEH e o quinto de toda a Uerj. Um Instituto em que o índice de reprovação por falta beira os 20%, ou seja, a cada 5 alunos que iniciam uma disciplina, 1 deles esbarra em um currículo inchado e a abandona. Vejo assim que essa fórmula desestimula e aprisiona o desejo de quem permanece. Rediscuti-la é a primeira tarefa que se apresenta, depois de concluído o processo eleitoral.

Diante disso, será preciso que tenhamos a generosidade necessária para compreender o recado dado pela maioria de nós. Será preciso ter grandeza para renovar as práticas, apostar na transparência, investir na participação coletiva, permitir que os diversos talentos se expressem e nos motivem a reencontrar o desejo de estar junto.

Como professor, sinto que sou um estudante que decidiu não sair da escola, que decidiu fazer do hábito do estudo uma prática profissional: ler, contar aos outros o que li e, com eles, elaborar críticas e produzir novos e outros tantos textos. Por tudo isso, fico muito honrado de ter participado da chapa do Gustavo Bernardo, o professor-escritor, que conheci através dos livros, com quem chorei pela primeira vez em uma assembleia – estávamos comovidos com a presença viva dos estudantes.

A comoção com os estudantes, que nos aproximou há 3 anos, naquela assembleia, nos moveu a oferecer-lhes uma alternativa, a lhes mostrar que, mesmo diante de um enorme marasmo, encontraremos pessoas dispostas a fazer diferença. Inspirados por eles, pretendemos reacender em todos nós os aprendizes que sempre seremos, confiantes na potência do encontro.

Compartilho com todos a mensagem que extraio desse processo: tenhamos a delicadeza desses fotógrafos de existências, saibamos todos aprender com nossos estudantes!

Um forte e comovido abraço,
Bruno Deusdará