DEBATE
14 de outubro de 2015
Gustavo Bernardo
Bruno

Em 2 semanas, completo 60 anos de idade, 44 deles vividos nesta universidade. Numa trajetória parecida com a do Bruno, aqui a meu lado, fui aluno do CAp e professor do CAp. No Instituto de Letras, fui aluno da Pós-Graduação, defendendo a primeira tese do Programa, e finalmente professor de Teoria da Literatura. Fui também coordenador geral da Pós-Graduação e ainda representante dos professores associados no CSEPE.

Entendo que o método magno da educação é o do exemplo. Ensina a ler quem lê, ensina a escrever quem escreve, ensina a ensinar quem ensina com vontade e paixão. Associo aos exemplos que procuro dar a obrigação da clareza e a gentileza do humor. Não acredito em complicar para parecer mais inteligente. Entendo falta de humor como sintoma de personalidade oprimida.

Por princípio, confio na inteligência e na sensibilidade de todos os alunos. Não leciono apenas para quem me espelha. Crer no potencial de cada aluno, e mostrar isto em cada palavra, em cada gesto e em cada olhar, é o que nos define como professores.

Como diretor, não posso ser diferente. Por princípio, devo confiar na inteligência e na competência dos estudantes, dos colegas administrativos e dos colegas docentes.

Sim, acredito nas pessoas. Isso é uma qualidade, não é um defeito.

Como candidato a diretor, não esqueço que sou escritor. Essa casa de letras precisa cuidar bem de todos que a procuram porque queriam ser escritores. Não podemos mais continuar a enterrar vocações. Precisamos tratar como arte a arte que estudamos.

Como candidato a diretor, não esqueço que sou professor. Empolgo-me com as perguntas dos alunos. Já estou ansioso pelas perguntas de vocês.

A pergunta autêntica é o coração do processo educativo. A dúvida também se encontra no cerne das literaturas que ensinamos. A própria ficção duvida da realidade para criar uma realidade mais intensa.

Como diretor, vou estimular a dúvida e o diálogo, abrindo bem os ouvidos e as portas do gabinete. As portas ficam abertas para que todos entrem, mas também para que os diretores saiam todo dia e andem pelos corredores.

As portas abertas são o símbolo do diálogo aberto. Defender esse diálogo é necessário, porque hoje ele se restringe a um pequeno grupo. A condição do diálogo é o acesso completo à informação.

Ora, nessa casa a informação não circula há muito tempo. Problemas, impasses, soluções, decisões, explicações, vitórias, derrotas, projetos, verbas, uso das verbas, pautas e atas de reuniões, tudo deve ser divulgado em tempo real, nos meios físicos e virtuais possíveis. Temos articulação institucional para garantir isso, de forma criativa e interativa.

Sim, queremos mudar. Queremos mudar práticas que estão longe de serem eficientes, porque excludentes e desanimadoras.

O diálogo aberto nos leva à ação plural. Assumo publicamente dois compromissos: [1] não vamos montar a direção seguinte dentro do gabinete, mas sim em discussão pública; [2] não seremos representantes nos conselhos superiores, estimulando mais gente a participar da vida política da unidade.

Sim, vamos fortalecer os fóruns formais de deliberação, como o Conselho Departamental, valorizando a representação dos estudantes e dos servidores administrativos. Sim, vamos estimular a criação de um fórum gestor, de caráter consultivo, para discutir amplamente as nossas principais questões.

Ora, parece que nós já mudamos. Portanto, nós já vencemos – não as eleições, é claro. Essas, vocês é que vão decidir, no voto e na urna. Essas, vocês é que vão vencer.

Digo que nós já mudamos porque o simples aparecimento de uma candidatura, com clara proposta de mudança, quebrou a ditadura do pensamento único, fraturou o sentimento do medo e reanimou muita gente que se encontrava desanimada.

Nesse momento, eu confesso que me sinto feliz. Feliz, por ver muitos olhos brilhando. Feliz, por vislumbrar a possibilidade de trabalhar, nos próximos 4 anos, ao lado de um grande amigo, o professor Bruno Deusdará, também conhecido pelo apelido de “guerreiro zen” – e, ao lado dele, garantir que é possível governar com todos e para todos!

Gustavo Bernardo

Quero manifestar minha profunda alegria de estar aqui com vocês. Há doze anos o Instituto de Letras não vivia uma eleição com mais de uma chapa, debate de verdade e a possibilidade real de renovar nossas práticas, arejar nossos sonhos, planejar em conjunto nosso futuro.

Tenho 33 anos, e 27 deles vividos na UERJ. Aos 6, ingressei no CAp, aos 17, entrei no Instituto de Letras, apaixonado pelas aulas de sintaxe que tive na escola e convicto do sonho de me tornar professor. Aos 24, concluí o Mestrado em Linguística e, aos 29, o Doutorado em Psicologia Social.

Ao longo desses anos, procurei conciliar minhas aulas e pesquisas com uma atuação que pudesse garantir a quem não teve a mesma sorte que eu, ao menos, chances semelhantes. Por isso, participei do Grêmio do CAp e do Conselho Departamental. Na Graduação, além da pesquisa, que me rendeu o Prêmio de Iniciação Científica da Uerj, fui coordenador geral do DCE e Conselheiro Universitário.

Por ter realizado toda a minha formação acadêmica em instituições públicas de qualidade, entendi que tenho um compromisso ético e político com a sociedade que financia a formação de qualidade de todos nós. Ou seja, sou sim um militante, que respeita todas as militâncias, todas as crenças religiosas.

Mais recentemente, compus duas Diretorias da Associação de Docentes da UERJ. Estive em manifestações públicas, e também participei de Audiências com deputados de todos os partidos, com dois Presidentes da ALERJ e com o governador do estado. Nessa função, destaco dois princípios: prestar contas de seus atos e saber lidar com a divergência. Estive nesses espaços, com o objetivo de melhorar as condições de nossa instituição. E assim, poder dar minhas aulas.

É por tudo isso que hoje me sinto absolutamente à vontade para estar aqui, compondo a chapa do Gustavo Bernardo, um professor-escritor que admiro e que há poucos dias me disse que sempre escreveu muito para entrar mais e melhor na sala de aula. É com esse entendimento da relação entre ensino e pesquisa que me identifico. Para mim, todo saber tem corpo, que se expressa numa postura ética diante da vida, prezando por respeito, igualdade e uma profunda generosidade.

Como bom vascaíno, sei qual é o lugar do vice: ajudar a construir caminhos para as efetivas realizações coletivas. Uma gestão deve ser capaz de coordenar ações, desenvolver talentos, incentivar a criatividade e relações mais amistosas que assegurem uma vida em que caibamos todos nós. Uma gestão eficiente deve ser aquela que coloca sempre o bem estar das pessoas em primeiro lugar.

Para um currículo possível e interessante para nossos estudantes, é preciso que as reuniões da reforma aconteçam, nos horários da manhã e da noite, com a presença de vocês. Para um cotidiano de respeito aos técnicos, é preciso romper a centralização e respeitar a formação administrativa que possuem. Para a integração efetiva dos professores, é preciso divulgar informações e incentivar a ampliação dos projetos, com transparência e sinceridade. Para que haja respeito, as reformas de infraestrutura devem garantir acessibilidade.

Por todas essas ideias, apresentamos uma proposta de mudança para o nosso Instituto. É preciso saber divergir, sem dividir. Procuramos muito o contato com cada um de vocês, para mostrar nossos princípios e nossas ações. Damos, com isso, um sinal claro: por respeito a cada um de vocês, queremos fazer uma Direção para todos, eleitores de todas as chapas e de nenhuma delas.

Todos sabemos que o que está em risco hoje é a própria ideia de Universidade pública. Precisamos unificar nossa Universidade para lidar com um governo que ainda não está convencido de nossa importância. Temos hoje condições de viver em um Instituto mais integrado à nossa Universidade, incentivando o exercício da palavra pública e renovando a representação. Vamos construir com cada um de vocês uma gestão compartilhada, com transparência, prestação de contas, métodos eficazes e metas claras de expansão.

Temos a chance real de renovar nossas práticas, construir um período de maior visibilidade para o nosso Instituto. Temos a chance de afirmar, frente ao ódio que nos destrói e ao segregacionismo que nos separa, a confiança que nos aproxima na Universidade pública, a crença profunda nas pessoas e a generosidade que nos impulsiona a querermos ser melhores do que somos.


Bruno Deusdará