A ESTANTE DE GUSTAVO BERNARDO


filha do escritor
     



CARO TRICOLOR

Flávio Carneiro

Estou te escrevendo pra falar do seu livro. Terminei de ler semana passada e gostei muitíssimo! 

A Adriana (Lisboa) já havia elogiado e eu estava realmente curioso pra ler mas não conseguia jeito. Então peguei semana passada e li em dois dias. A história prende mesmo - a tal ponto que quando o narrador disse para o "outro" que era pra ele ter paciência, naquele dia não falaria da Lívia, quase o mandei praquele lugar! Mas, não falando de Lívia e sim dos outros pacientes, ele acabou me puxando de volta pro livro, numa técnica difícil que é a de substituir o bom por outro bom também.

Os personagens são excelentes, não apenas o narrador e este suposto Machado, mas Lívia, claro, os internos da nova possível Casa Verde, a leonina Leonela, todos.

O diálogo com a obra de Machado é perfeito, sutil e constante, salpicado pelo livro em doses certas. Ainda quero dar um curso na pós sobre o tema da reescritura. Na minha lista, já havia colocado o Lúcia e agora entra também A filha do escritor.

Outra coisa: o humor. Que, claro, tem tudo a ver com O Alienista. Não me lembro de ter visto isso nos seus outros livros. Este é muito engraçado. O modo desbocado como se tratam o narrador e o outro, as situações em si, as tiradas, fiquei feliz de ver como você lida bem com o humor, em especial o que resulta de certo nonsense, como o da página 45. Marquei aqui no meu livro o trecho que vai da quarta linha até o final do parágrafo.

É isso, tricolor, muitos parabéns! Mesmo! Na quinta pego meu autógrafo. Abração!

Rio de Janeiro, 03/03/2009

e-mail : gustavobernardokrause@gmail.com