A ESTANTE DE GUSTAVO BERNARDO


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ME NINA

Malu de Castro


Caro Gustavo,

seu livro de frases curtas, onde a interrupção acorda a lembrança aos gritos, foi lido de um só folego. Voltei várias vezes em muitas linhas, ora pela poesia, ora pelo pela forma concreta da sua sua narrativa.

Há pelo livro todo, fantasmas falantes e gritantes no silêncio da sua memória viva. A imagem de uma irmã natimorta alternada por Timo criança e Timo adulto.

A concepção do amor doce das tias diante do amargo é simplesmente fantástica.

Maria de Cristo encerrada num bibelô de porcelana, fragilidade do primeiro amor, enterrado pelas pernas num vaso de samambaias, me emocionou muito!

Naquela noite de chuva onde todo o posssível se interrompeu com a chegada da tia. O incêndio da casa está nos meus olhos, bem como a expressão do rosto de Taman na hora da morte da rolinha. O pai sumindo entre as almofadas...

Frases que, se fosse sublinhar, riscaria o livro todo...

Um livro para ser lido várias vezes. Pela beleza, pela atmosfera, pelo dito no silêncio. Adorável privilégio para nós leitores, contrastando com tantos outros livros que encerramos definitivamente ao final da leitura.

Você me encantou com a sua narrativa originalíssima e as emoções atemporais de Timo - eterno menino, eterno amor, eterno órfão, eterno balão a lamber ou quem sabe, a subir e se perder na escuridão e na luz da eterna infância.

PARABÉNS!

São Paulo, 02/12/2013


e-mail : gustavobernardokrause@gmail.com