A ESTANTE DE GUSTAVO BERNARDO


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REDAÇÃO INQUIETA
Ernesto Valença



Gustavo, nessa semana aconteceu um incrível acaso que tenho que lhe contar.

Quando fui fazer o vestibular para teatro, há uns 18 anos atrás, estava muito preocupado com minha prova de redação. Como tinha algumas dificuldades em matérias como química e matemática, botei na cabeça que precisava tirar uma excelente nota em redação.

Pensando nisso, fui a uma livraria com a intenção de comprar um manual de redação. Encontrei entre os livros um que me chamou a atenção imediatamente pelo nome incrível que tinha: Redação Inquieta. Li o livro todo. Desde as primeiras páginas percebi que ele não tinha nada de manual de redação e que era instigante, desafiando o leitor a uma escrita criativa, libertária, intensa. O livro ficou na minha cabeça por muito, muito tempo.

Atualmente, uma das aulas que ministro na UFOP é Estágio Supervisionado, que tem como trabalho final a escrita de um relatório por parte dos alunos. Todos eles são muito, muito resistentes a essa escrita e, tentando superar isso, lhes propus uma espécie de oficina de produção de texto.

Ocorre que me dei conta de que nunca havia dado, nem participado, de nenhuma oficina de produção de texto e fiquei sem saber o que fazer. Imediatamente lembrei daquele livro que havia lido antes do vestibular e de como ele havia me instigado tanto! Distribuí uns trechos para os alunos, tentando interessá-los na escrita, mostrar-lhes que a escrita pode ser algo vivo e intenso.

Quando me dei conta, percebi que o livro é de sua autoria! Fiquei pasmo com o acaso e resolvi te escrever para contá-lo. Entendo que o acaso (e a necessidade) eram elementos muito importantes para Flusser. São também para mim! Se soubesse disso antes, tinha te falado sobre o assunto quando nos conhecemos, na defesa de meu doutorado. É isso, enfim.

Abraços!

Ouro Preto, 02 de julho de 2015.
e-mail : gustavobernardokrause@gmail.com