A ESTANTE DE GUSTAVO BERNARDO


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REDAÇÃO INQUIETA
João Vítor Pellegatti


Sou um estudante de Direito do primeiro ano do Largo de São Francisco e tive a feliz experiência de terminar anteontem o seu livro "Redação Inquieta", em virtude do qual mando essa mensagem.

Deparei-me com o livro na Biblioteca Sergio Milliet, no Centro Cultural São Paulo. Foi um "acaso programado", digamos. Atualmente sou monitor de redação do cursinho popular da USP Direito. Encontrar seu ensaio em meio à uma seção cheia de manuais de redigir foi, então, o mais próximo que cheguei de manipular o destino a meu favor. O interesse de achar algo inspirador estava ali, haha, o universo fez o esforço final.

No cursinho, minha função é orientar um pequeno grupo de alunos em relação a propostas baseadas em vestibulares. Também corrijo redações semanalmente. Após a leitura do ensaio, nunca ficou tão clara e urgente na minha cabeça a necessidade de orientar esses alunos (me incomoda a ideia possessiva de "meus alunos") a expor suas diferenças, combatendo o maniqueísmo e estimulando a pluralidade e o diálogo.

Irei apresentar sua obra para meus colegas de monitoria e tenho certeza da influência que ela terá na forma de ver redação pelos alunos e docentes. Queria ressaltar como me deixa feliz esse conceito de cursinho popular administrado por alunos recém-ingressados na faculdade. Isso parece construir um senso especial de humanidade e compreensão para com o vestibulando, quase uma relação horizontal aluno-aluno. Obviamente a qualificação dos grandes docentes é insubstituível, mas, sendo pessoalmente crítico do modelo vestibular, parece uma proposta que, em grande escala, poderia "realocar" os grandes professores em benefício das escolas e das universidades. Hoje, vejo docentes maravilhosos contratados pela forte indústria de cursinhos, sendo que o essencial seria sua contribuição ao ensino fundamental, médio e superior.

Por fim: em tempos de "Escola Sem Partido" e ameaças democráticas pelo discurso maniqueísta, seu livro foi insubstituível e recompensador.



São Paulo, 26/07/2016
e-mail : gustavobernardokrause@gmail.com